maio 31, 2011

Redes de pescas usadas no RS viram peças artesanais

Grupo de mulheres gaúchas abre mercado com criatividade

Redes abandonadas ganham cara nova e viram peças artesanais pelo talento de mulheres do grupo Redeiras, da colônia de pescadores Z3, a 30 km de Pelotas (RS). Com paciência e habilidade, elas cortam os quadrados para conseguir o fio. Depois de várias lavagens para tirar o cheiro de peixe, os fios são tingidos e trabalhados no tear ou crochê. 

As bolsas são o carro-chefe dessa linha, que inclui ainda carteiras, mochilas, cintos e biojoias. São feitas de materiais como prata e escamas, além de peças com couro de peixe. Amostras deste trabalho estão sendo apresentadas no lounge de Economia Criativa e Solidária, na 18ª edição do Senac Rio Fashion Business. 

A artesã Mari Ângela Lima, conhecida como Zuka, ainda fica tímida diante do interesse de compradores pelo trabalho do grupo. “A gente se espanta com a admiração dos outros. Eu só sabia cuidar de casa e tecer rede. Por isso, quando entrei no projeto, fui logo avisando que só tinha duas mãos esquerdas. Hoje, me apresento como artesã. Foi uma mudança grande”, relata. 

Acesso ao mercado 

Para a gestora do projeto de Artesanato do Sebrae no Rio Grande do Sul, Jussara Argoud, a inovação foi a chave para mudar o foco da peças produzidas. “Com o aprimoramento do trabalho delas, por meio de várias oficinas de design, pudemos trabalhar o acesso ao mercado”, explica. 

O faturamento comprova o resultado desta estratégia. Nos últimos dez meses, participando de grandes eventos, elas comercializaram cerca de 2 mil peças para São Paulo e região Nordeste e faturaram mais de R$ 75 mil. No Senac Rio Fashion Business, começaram a abrir as portas para um novo mercado. Na quarta-feira (25), receberam o primeiro pedido de três lojas cariocas no valor de quase R$ 4 mil, o equivalente ao que elas faturavam anualmente com a venda em feiras locais. “Este é apenas o primeiro dos pedidos. O que era resto e material poluente hoje significa renda e trabalho”, comemora a gestora Argoud. 

O grupo Redeiras faz parte do projeto Artesanato do Mar de Dentro, do Sebrae, realizado em todo o país. No Rio Grande do Sul, são atendidos 25 municípios, e, além da parceria com várias entidades locais, a iniciativa conta também com patrocínio da Fibria, empresa de celulose e papel.

Fonte: Agência SEBRAE de Notícias

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