junho 02, 2012

‘Empresa e cliente dialogam nas redes como se estivessem em um boteco’


Para Arturo Nuñez, diretor de marketing para mercados emergentes da Nike USA, a construção de uma supermarca é feita por meio de diálogo com o consumidor


 Shutterstock
O desenho é inspirado nas asas da deusa grega da vitória. Criado em 1971 por Carolyn Davidson, o símbolo da marca de artigos esportivos Nike é reconhecido ao redor do mundo com certa facilidade. Mas, em uma realidade conectada, em que uma denúncia de trabalho infantil é compartilhada por milhares de usuários com apenas um clique, o trabalho de gerir uma marca global ganha uma nova dimensão. 

Arturo Nuñez é diretor de marketing para os mercados emergentes da Nike. Ele tem pela frente o desafio de fortalecer o nome da companhia na região que deve sustentar o crescimento das grandes empresas enquanto a Europa e os Estados Unidos não saírem da lona. No currículo, ele acumula experiência em empresas como NBA, Diageo, Colgate e Pepsi. Filho de um venezuelano e uma cubana, fluente em três línguas, Nuñez nasceu no Harlem, em Nova York, estudou na Flórida, trabalhou em vários países e nas horas vagas é DJ e radialista. 

Nuñes virá ao Brasil para a Expogestão 2012 – evento que ocorre de 13 a 15 de junho, em Joinville (SC) – para falar sobre o futuro do branding. Em entrevista ao site Pequenas Empresas & Grandes Negócios, ele antecipou algumas das ideias que vai levar ao público durante o encontro de gestão empresarial. 

O que o consumidor espera de uma marca hoje? 
Como se diz no Brasil, o consumidor espera tudo ao que ele tem direito. Primeiro, o básico: produtos de qualidade a preços justos. Depois, a experiência de compra em que o consumidor se sente parte de um universo maior. Ele vai entender como o produto foi concebido, em que condições o produto tem a melhor utilização ou o melhor desempenho, onde ele fica mais bonito. Depois disso, vem talvez a parte mais importante: a conexão do consumidor com a marca e o seu produto. Aqui estamos falando de autenticidade do produto, da interação com a marca por meio de redes sociais como Facebook e Twitter. Isso tudo além da certeza de que o feedback, os comentários e as críticas do consumidor irão contribuir para a evolução do produto. 

As redes sociais mudaram a forma como os consumidores se relacionam com as marcas? 

Completamente. Foi uma mudança ampla, geral e irrestrita. O relacionamento agora é circular, você não consegue saber onde ele começa ou termina, quem comanda ou quem influencia. Hoje, as marcas e os consumidores dialogam nas redes sociais como se estivessem conversando em um boteco brasileiro. 

A publicidade tradicional, com um conceito de mensagem que caminha em uma única via – do emissor para o receptor – acabou? 
Ela não acabou porque a evolução não se dá por sucessão de plataformas, mas de uma forma orgânica. A TV não matou o rádio e a internet não matou os jornais, o cinema ou a TV. Simplesmente temos mais ferramentas e mais plataformas à nossa disposição. Se em determinado momento do diálogo com o consumidor você precisa de uma mensagem assertiva e monodirecional, a publicidade clássica está pronta para lhe servir. 

Como você imagina que serão construídas as supermarcas globais no futuro? 
Muitas vezes tenho a sensação de que o futuro já chegou. De qualquer forma, acho que a construção das supermarcas do futuro será feita por meio de uma mistura muito complexa entre o diálogo constante com o consumidor, a visão global de mundo e o espírito único de um artesão de violinos. Tudo isso temperado por um componente que dá sabor a tudo ¬- e se chama inovação. Isso porque sem inovação não há futuro. 

Fonte: PEGN Júlia Pitthan

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