
Esse tipo de prática é conhecida no universo das startups como “copycat”. O termo é usado para definir startups inspiradas em modelos de negócios estrangeiros (geralmente americanos ou europeus). Ou seja, o empreendedor não cria nem inova. Ele adapta uma ideia que já foi validada em outro país para a nossa realidade.
Muitos negócios prosperaram por aqui usando essa fórmula – vide o caso do Peixe Urbano. O caminho pode ser mais seguro do que começar com uma ideia do zero e pode até facilitar a captação de investimentos. “A principal vantagem é que, teoricamente, existe menos risco, pois alguém já comprovou que o modelo tem aderência e que pode funcionar”, diz Anthony Eigier, cofundador da aceleradora Tree Labs.
Por outro lado, o empreendedor que aposta em um modelo fácil de copiar está mais exposto à concorrência – é o caso dos sites de compras coletivas, que invadiram o mercado brasileiro às centenas. “Quando você cria algo realmente inovador, sem precedentes, o potencial da startup é muito maior. Você se torna o modelo que os outros querem copiar”, diz Eigier.
Confira alguns cuidados que todo empreendedor deve ter ao se inspirar em um modelo de negócios de sucesso de fora:
Fuja dos serviços massificados
Oferecer uma versão local de serviços de massa que têm alcance global – como uma rede social ou um serviço de e-mail, por exemplo – é uma roubada. Clonar um Pinterest, um Twitter ou um Instagram dificilmente trará qualquer resultado, pois esses são serviços em que um único player domina o mercado.
Invista na vantagem local
Alguns serviços são mais locais por natureza. O e-commerce é um deles, já que é necessário ter toda uma operação de logística física por trás do negócio, além do conhecimento de leis e regulações e do relacionamento com os fornecedores do país. Dê preferência a esses modelos na hora de “se inspirar”.
Outros serviços precisam de um suporte local mais forte – é o caso de soluções B2B, voltadas a empresas. O comprador pode se sentir mais seguro lidando com alguém que está mais próximo fisicamente, que conhece melhor o seu ambiente de negócios e pode dar um suporte mais completo na sua língua.
Não compare alhos com bugalhos
Importar um modelo sem adaptá-lo à realidade local é outro erro que deve ser evitado. O contexto cultural sempre tem de ser levado em conta. Quer um exemplo? O modelo do TaskRabbit, site americano em que é possível contratar “assistentes pessoais” para realizar tarefas como fazer suas compras ou levar seu cachorro para passear, nunca pegou por aqui. Um dos motivos é a desconfiança em relação à idoneidade do “prestador” de serviço, que é mais forte aqui do que lá.
“Um erro frequente é a empresa partir do principio que o brasileiro vai reagir da mesma forma que o americano. Isso historicamente causa problemas”, alerta Eiger. Outros aspectos, como a maturidade na adoção de tecnologias, também podem influenciar nos resultados. Basta comparar a penetração da banda larga no Brasil e nos Estados Unidos, por exemplo.
Seja ágil
Se é para copiar, então saia na frente. Não vai demorar para outro empreendedor enxergar a mesma oportunidade e investir nela. Os primeiros entrantes sempre têm a vantagem – mais uma vez, o caso do Peixe Urbano mostra isso. Mas cuidado: a boa execução é fundamental. Não basta fazer primeiro, é preciso fazer bem, senão a concorrência poderá passar a rasteira em você.
Dê um tempero próprio
Se inspirar em um modelo de sucesso pode ser um bom ponto de partida, mas se a startup quiser ter futuro é necessário encontrar seu diferencial e continuar inovando.
Poucos foram os sobreviventes da febre das compras coletivas. Aqueles que sobreviveram encontraram o seu nicho e souberam se diferenciar – seja pela qualidade das ofertas, pelo atendimento ou por outro aspecto relevante para o consumidor. O próprio Peixe Urbano, que deu início à moda, não parou de se reinventar e buscar outros serviços para oferecer.
“No começo, simplesmente o modelo inovador já é uma vantagem, porém em um mercado saturado é importante que sua empresa se destaque das demais”, diz Eiger.
Fonte: PEGN
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